sexta-feira, 24 de maio de 2013

Mais do Mesmo

Estou naquelas fases / dias que preciso concentrar-me bastante para não ir abaixo. Leio coisas que deveriam provocar-me sorrisos, que deveriam dar-me alento, mas a angústia quer instalar-se no peito.
Depois de finalmente ter mudado de casa, de termos espaço para nós e para a nossa menina, depois de termos decidido que afinal a estadia em Londres vai de facto prolongar-se, depois de termos a certeza que iremos ter ajuda familiar em permanência, talvez (in)conscientemente me sinta mais longe de casa.
Ao ver as imagens de Portugal, dos locais onde nasci e cresci, onde me identifico, sinto que estou a perder a ligação ao meu canto. Não a ligação cultural ou emocional, mas a física. E essa distância dói.
Continuo a olhar para as pessoas no seu meio, e acho que essas pessoas não entendem a sorte que têm, o privilégio que é poderem misturar-se com a calçada portuguesa, com o céu azul, com o mar e o seu cheiro; com as pessoas a expressarem-se sempre na sua língua mãe. Não há dinheiro que pague esse conforto! Mas não é fácil encontrar uma forma de sobrevivência digna.
Olho para a minha menina e sinto a maior tristeza em pensar que ela se está a desenvolver fora de Portugal, a criar raízes em Inglaterra, noutra língua que não a nossa.
Dói não reconhecer muitas histórias que a Maria João aprende e que não fazem parte da minha infância. Por outro lado tenho o maior orgulho no seu desenvolvimento, na sua capacidade de absorção de informação em duas línguas. Não quero, contudo, que ela se esqueça que é portuguesa, onde nasceu e para onde nós possamos levá-la o mais brevemente possível.
Ontem escrevi que me sinto exilada em Londres, não por questões políticas, mas por mera questão financeira. Não consigo voltar... Não podemos correr esse risco com a nossa menina.

1 comentário:

  1. Olá, esta é a minha primeira incursão por este blogue e não podia deixar de comentar, sobretudo este texto.

    Também sou portuguesa e vivo em Londres. Mesmo sabendo que é mais ou menos difícil para todos os que estão longe de casa, praticamente desde o início que me sinto um bicho raro. Sinto que para mim, viver longe de casa, é muito mais penoso do que para a maioria das pessoas que vou encontrando por cá. Tento frequentemente pensar nos motivos que por cá me prendem mas a balança insiste em pesar-me o coração para tudo aquilo que está lá.

    Duas coisas que escreveu e nas quais me revejo diariamente: o sentir que as pessoas que vivem em Portugal não fazem ideia do quão previligiadas são e o sentir-me exilada neste país. É como se tivessem fechado a porta de entrada e só de tempos a tempos nos deixam lá voltar, servindo essas visitas de bomba de oxigénio...

    Não poderia, por isso, deixar de comentar, porque pela primeira vez, li e vi alguém que sente como eu o que é isto de ser emigrante.

    Obrigada pela partilha. Este exílio já é isolado que chegue e sabe sempre bem saber que, pelo menos na forma de sentir, não estamos sozinhas.

    Cristina

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