Aprendi muito cedo que língua mãe é a minha verdadeira zona de conforto. É a minha identidade, a minha cultura, o meu porto seguro, a minha casa, o meu aconchego. Esta consciencialização deu-se cedo na minha vida. Deu-se na escola onde as aulas eram em alemão, e onde comecei a cansar-me de sentir que não me expressava na minha plenitude. Ou acabava por não falar, ou sentia que não me fazia entender. Não sentia as palavras, o seu significado e conceito e sentia que as pessoas não sentiam o que eu queria transmitir.
Hoje sinto o mesmo. Hoje que vivo em Londres, que até trabalho em português, sinto o mesmo. E cansa-me, deixa-me com a sensação de isolamento.
Mesmo no meio laboral, onde me posso exprimir em português, nem sempre sou compreendida. Os meus colegas brasileiros podem perceber as palavras, mas não entendem a carga cultural que as minhas palavras carregam. E isso cansa-me tanto...
Tenho receio que a minha filha sinta o mesmo. Vejo que ela se expressa num tom mais baixo quando fala em inglês com outras crianças, talves por saber que não é a sua língua. Parece-me que se sente mais à vontade, menos tímida, quando lida com crianças portuguesas.
Tenho receio que ela se sinta isolada, sem ainda se aperceber desse isolamento; tenho receio do que possa despoletar na sua personalidade. Tenho receio que sinta que esse isolamento seja natural, seja normal...
Eu adoro poder comunicar em línguas diferentes, mas prefiro o dia-a-dia na minha língua, na minha identidade, na minha zona de conforto!
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